BLOG COMPACTO DO DISCO VOADOR
   ALAÍDE COSTA – CORAçÃO

ALAÍDE COSTA – CORAçÃO (EMI, 1976)

 

 

 

Da mesma forma que esse CD apareceu na minha vida, ele vem diretamente pro blog, como que paixão à primeira vista e instantânea. Mas bem tardia, sendo bem sincero .... fim do ano achei essa maravilha e desde então, custa a sair do player. De tão complexo, acho que vai demorar pra eu desacostumar dele.

Bom, confesso minha pouca referência sobre a Alaíde, uma cantora de extrema nobreza, típica de uma ‘princesa afro-brasileira’. Um dos primeiros contatos com sua voz forte, sua dicção inconfundível e a alma exposta na sua interpretação, foi a gravação de ‘Me Deixa Em Paz’, do ‘Clube Da Esquina 1’ que me deixou de boca aberta para essa diva não tão divulgada na mídia, e que já estourava desde a bossa-nova. Além de mais algumas participações em songbook’s e outros tributos, não tinha muito contato com sua música. Pura falta de pesquisa mesmo, agora corre-se atrás do tempo perdido.

 

‘Coração’ é uma reunião de bambas da MPB, com produção artística de Milton Nascimento e orquestração e arranjos de João Donato. Quer mais ? Pois olhe os músicos: João Donato (piano, órgão), Novelli (baixo), Nelson Ângelo (violão & guitarra), Toninho Horta (guitarra), Robertinho Silva (bateria), Ivan Lins (piano em ‘Corpos’) e  Beto Guedes (vocal). Uma seleção !!!

Sua capa vem com uma foto em perfil de Alaíde, amarelada pelo tempo e carregada de uma força que a cantora passa pelo seu olhar, já prevendo a densidade da obra.

 

Cada faixa vem com uma surpresa, seja na interpretação, seja nas participações e, principalmente nas belíssimas letras e arranjos. Começa com ‘Pai Grande’, do Milton, de tema intimista, causos familiares e tudo o que mais nos toca lá no fundo. Link Youtube:  http://www.youtube.com/watch?v=nwhl2xzG1ks. e com participação do Bituca.

Continua com ‘O Samba que eu lhe fiz’, das levas românticas de Sueli Costa, de onde aparecem as pérolas ‘ .... é em samba que a gente se entende / e sente o aroma da felicidade /  e vê que a vida não passa de um dia / um momento / uma hora / pra ser bem vivida, dividida ...’ e acaba com ‘ ... se você cantar / eu serei feliz’.

‘Coração’ que dá o título, é balada ‘portunhola’, daquelas de tiro certeiro, ‘ ... pra quedar um dia em meu coração / e no outro dia esquecer / e viver para sempre / com você’.

 ‘Catavento’ vem em com vocalize primaveril, com direito à citações de ‘Circo Marimbondo’, do próprio Milton. ‘Sonho E Fantasia’ é dor consciente, onde é preciso a dor maior, que a dor do amor de não se dar. Um arrepio, e finaliza com vocalizes à La Donato, com a melodia de ‘Até um dia’, dos mesmos autores desta.

‘Corpos’ e ‘Pé Sem Cabeça’, talvez mais conhecidas pelas gravações posteriores de Elis, nem tão clássicos, mas de letras tão fortes quanto as interpretações de ambas as intérpretes, tanto aqui com Alaíde, quanto por Elis. ‘Você me fez sofrer, ninguém me faz sofrer assim .... ‘ – paulada inicial de ‘Pé Sem cabeça’.

‘Viver De Amor’ com muito jeito de Clube Da Esquina ‘ ... viver de amor até o fim, não quero mais chorar’.

Enfim, uma daquelas obras que se deve apreciar com a alma e coração mais que escancarados. Um primor.

 

 

01 - Pai Grande (Milton Nascimento)
02 - O Samba Que Eu Lhe Fiz (Sueli Costa)
03 - Coração (Nelson Ângelo / Ronaldo Bastos)
04 - Catavento (Milton Nascimento)
05 - Quem Sou Eu (Johnny Alf)
06 - Sonho e Fantasia (João Donato / Lysias Ênio)
07 - Corpos (Ivan Lins / Vitor Martins)
08 - Pé Sem Cabeça (Danilo Caymmi / Ana Borba)
09 - Tomara (Novelli / Paulo César Pinheiro / Maurício Tapajós)
10 - Viver de Amor (Toninho Horta / Ronaldo Bastos)
11 - Tempo Calado (Alaíde Costa / Paulo Alberto Ventura)
12 - O Que Se Sabe de Cor (Fernando Leporace)



Escrito por niltonsb às 19:07
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   MIUCHA & ANTÔNIO CARLOS JOBIM

MIUCHA & ANTÔNIO CARLOS JOBIM (RCA Victor, 1977)

 

 

 

Bom, mais uma vez o Tom e suas empreitadas em discos coletivos de altíssima qualidade. E esse aqui .... nossa .... além dele e a Miúcha (que dividem o disco), temos Chico Buarque dividindo vocais com a irmã em 3 canções, fora os músicos de calibre superior como, irmãos Caymmi (Dori e Danilo), Wilson das Neves, Novelli, entre outros.

E na direção de tudo isso, Aloísio de Oliveira, que foi o  produtor escolhido por Jobim para essa jóia rara. O próprio Aloísio escreve no encarte do disco:

 

‘ RECEITA PARA PRODUZIR UM DISCO COMO ESTE

  1. Amar os participantes do mesmo sobre todas as coisas.
  2. Fazer o possível pela recíproca.
  3. Não deixar que a sua posição interfira na criatividade dos participantes.
  4. Procurar criar, em todos os momentos, um ambiente de amor e não de trabalho.
  5. Usar ingredientes como a voz de Miúcha, a presença e os arranjos de Tom Jobim, a participação de Chico Buarque etc.
  6. Se vocês fizerem essa pergunta: “ Mas assim a coisa fica muito fácil, não é ?”. Resposta: É !’

 

Dispensa maiores delongas sobre o conteúdo do disco e a descontração que deveriam ter sido as gravações dele.

O que me chamou a atenção, além da maravilha que ele é, é que os autores de novelas devem tê-lo como inspirador para suas trilhas. Tem três músicas em aberturas de novelas da Globo,  e de diferentes épocas. Manoel Carlos que o diga ....

 

A capa não é tudo isso (sabendo que o produtor que era dono da gravadora Elenco, cujo acervo possuía sempre as melhores capas de discos de MPB da década de 60), com uma foto de Tom & Miúcha em foto de estúdio de gravação, descontraídos e dando o clima do que se espera escutar. Já o encarte, por outro lado, tem fotos melhores.

 

Mas o disco é muito mais que foto ou capa bonitas. A maioria de clássicos da nossa música, indo de Chico, Caetano, Jobim, Vinícius, e revisitando Ary Barroso/Luiz Peixoto (Na Batucada Da Vida) e Custódio Mesquita/Evaldo Ruy (Saia Do Caminho). Muito bom mesmo. E os arranjos .... um mais primoroso que o outro.

O Aloísio estava certo mesmo. E aprecie sem nenhuma moderação.

 

Como são raras as gravações em TV, optei pelas aberturas de novelas que tiveram trilha oriundas dele:

- Sei Lá (abertura de ‘Viver a Vida’):   http://www.youtube.com/watch?v=Ip5WY6By3gM

- Pela Luz Dos Olhos Teus (abertura de ‘Mulheres Apaixonadas’): http://www.youtube.com/watch?v=waFDwl1urXI&feature=related

- Vai Levando (abertura de ‘Espelho Mágico’):  http://www.youtube.com/watch?v=NMjGFoSMvM8

e

- Maninha ( Faz parte da trilha nacional de ‘Dancing Days’):   http://www.youtube.com/watch?v=lNkYV7lf-uc

 

 

01. Vai levando (Caetano Veloso - Chico Buarque)
02. Tiro cruzado (Márcio Borges - Nelson Ângelo)
03. Comigo é assim (José Menezes - Luiz Bittencourt)
04. Na batucada da vida (Ary Barroso - Luiz Peixoto)
05. Sei lá (A vida tem sempre razão) (Toquinho - Vinicius de Moraes)
06. Olhos nos olhos (Chico Buarque)
07. Pela luz dos olhos teus (Vinicius de Moraes)
08. Samba do avião (Tom Jobim)
09. Saia do caminho (Evaldo Ruy - Custódio Mesquita)
10. Maninha (Chico Buarque)
11. Choro de nada (Eduardo Souto Neto - Geraldo Carneiro)
12. É preciso dizer adeus (Tom Jobim - Vinicius de Moraes)



Escrito por niltonsb às 00:24
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   ENTRE-POST LIVRO 4: HISTÓRIA SEXUAL DA MPB - RODRIGO FAOUR

HISTÓRIA SEXUAL DA MPB - RODRIGO FAOUR (ED. RECORD, 2006)

 

 

 

Leitura mais do que divertida e obrigatória para quem quer ver as relações que existem entre a nossa MPB e assuntos picantes .... sim, isso mesmo, sexo na MPB, seja através das letras, dos gemidos nas músicas e até as capas mais vaporosas dos nossos artistas mais ousados. Tratando de diversos temas dentro do cancioneiro brasileiro, o autor fala da sensualidade presente, duplo sentido, sacanagem, fossa, preconceito, entre outros, de uma maneira bem humorada e detalhada, com citações contidas nos encartes, através das letras e, principalmente, pelas fotos. Uma pândega de cunho pra lá de informativo.

 

O jornalista e pesquisador Rodrigo Faour já vinha ‘criticando’ a MPB na imprensa carioca, além de escrever a biografia de Cauby Peixoto e Revista Do Rádio. Teve participação fundamental na reedição da obra de Bethania, no acervo da Universal, entre outros resgates e coletâneas importantes e comemorativas (40 anos de MPB4, Ivan Lins).

  

Algumas capas ‘calientes’ da MPB:

               

 

Da esq. para a direita: 

 

- Gal Costa - Índia (Polygram, 1973)

- Ney Matogrosso - Matogrosso (Ariola, 1982)

- Gretchen - Compacto (Barclay, 1981)

- Joanna -Vidamor (RCA Victor , 1982)

- Lobão - O Rock Errou (RCA Victor, 1986)

- Marina - Simples Como Fogo (WEA, 1979)

- Simone - Corpo E Alma (CBS, 1982)

- Zizi Possi - Pra Sempre E Mais Um Dia (Polygram, 1983)

- Fafá De Belém (Som Livre, 1983)

 



Escrito por niltonsb às 18:21
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   DIANA KRALL - WHEN I LOOK INTO YOUR EYES

DIANA KRALL - WHEN I LOOK INTO YOUR EYES (VERVE RECORDS, 1999)

 

 

 

Meu primeiro contato com alguma música de Mme. Krall veio via novela da Globo, onde sua música embalava cenas de casal central ou coisa parecida. A cena poderia não ser tudo aquilo, mas a sensualidade e clima de romance que a música trazia, dava mais sentido à cena, do que o próprio contexto dela. Essa música era ‘Let’s Face The Music And Dance’, que em outras versões, sempre foi ‘à la musical’, meio baile, meio valsa. Mas Diana, com sua voz sexy, meio rouca, conseguiu modificar o clima que a canção também pedia, deixando-a mais quente, mais romântica, menos cabaré.

Fazia muito tempo que o jazz vocal pedia leituras assim, do jeito que Diana vinha fazendo. Além do fato de ser loura, lovely e sexy, ela toca piano, e está sempre acompanhada dos melhores músicos e arranjadores jazzistas e, conquistou seu espaço no gênero, que já teve momentos mais frutíferos com Ella, Billie e Sarah.

 

O disco não tem lá uma das melhores capas (dentro da discografia de Diana), com uma foto noturna em algum mato, com a cantora toda cheia de felicidade se abraçando. Brega diria, mas como já comentado antes, a embalagem nem sempre valoriza o produto ... E não mesmo nesse caso, pois Ms. Krall conseguiu surpreender com lindas interpretações de clássicos populares americanos, além deste ter sido o 1º álbum de jazz a ser indicado (em mais de 20 anos) para prêmio Grammy de Disco do Ano. O disco não levou o prêmio, mas Diana sim, como melhor vocalista feminina. E à partir dele, cada vez mais e mais conhecida na mídia, mesmo sendo uma jazz Singer/player, o que ajuda a popularizar mais o estilo e resgatar outras pérolas, seja por cantores ou músicos, seja pelas músicas. E também, à partir dele, comecei a prestar mais atenção à essa canadense que adora o Brasil, adora bossa-nova, toca com os mais cobras do jazz, mas precisa ser um pouquinho simpática com o público que paga caro os ingressos de seus concertos.

 

 

Vídeos:

 

Let’s Face The Music And Dance (clipe):    http://www.dianakrall.com/mediaplayer.aspx?meid=2160

 

East Of The Sun:    http://www.dianakrall.com/mediaplayer.aspx?meid=1989

 

I’ve Got You Under My Skin (ao vivo concerto em Paris):  http://www.youtube.com/watch?v=bJwNIDCAsfc

 

Do It Again (ao vivo concerto em Paris) :   http://www.youtube.com/watch?v=8xTQi6Fi3ds  

 

 

1. Let's Face The Music And Dance

2. Devil May Care

3. Let's Fall In Love

4. When I Look In Your Eyes

5. Popsicle Toes

6. I've Got You Under My Skin

7. I Can't Give You Anything But Love

8. I'll String Along With You

9. East Of The Sun (West Of The Moon)

10. Pick Yourself Up

11. The Best Thing For You

12. Do It Again

13. Why Should I Care?



Escrito por niltonsb às 14:52
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   ELIS REGINA – ELIS 1974

ELIS REGINA – ELIS (POLYGRAM, 1974)

 

 

 

Missão mais que difícil escolher um disco da Elis pra postar. Tenho vários na lista porque são muitos os que tenho na cabeça, e inteiros, completos, maravilhosos, lindos, tristes, coerentes, mistos, enfim .... pouco a pouco solto os outros.

Resolvi começar por esse (se considerar o meu 1º post do Elis & Tom como coletivo, lançado no mesmo ano desse, poucos meses antes), entre outros inúmeros motivos, porque achei em algum site, o show postado de lançamento desse disco. Show esse, que foi denominado ‘Recital no Tuca’, e que mantém os arranjos quase que idênticos ao do disco, descontando as imperfeições do áudio e da gravação da época, de um concerto gravado há uns 35 anos e em fita cassete provavelmente mono.

Mas o que importa é que esses resgates são super bem-vindos, e a gente agradece !

Voltando à ele, me lembro que esse vinil já tinha rolado lá em casa, mas foi quando o adquiri que, acabei por descobrir ainda mais essa lindeza que Elis tinha nos deixado. Na verdade, as descobertas foram as 3 últimas do lado B, que num golpe só, me arrebatou, esquecendo se as anteriores tinham sido exaustivamente executadas ou não. São 3 faixas de compositores distintos (Lupicínio, Bosco e Gil) mas com a ‘co-autoria’ dela, sua dramaticidade musical dando a cereja no bolo que os autores deveriam clamar, por tê-la como intérprete de suas canções.

 

‘Elis 1974’ foi lançado originalmente em capa dupla e, diferentemente da foto do post (que é a do relançamento em cd) tinha capa branca, com um vazado no pingo do I, onde havia a foto d’Elis ilustrando esse pingo e, ao abrir essa capa dupla, o mesmo ‘desenho’ da capa se repetia em marrom e preto, que é essa foto aqui colocada. Eu não me canso nunca de ouvi-lo, tem 3 Milton’s, 3 Bosco’s, 2 Gil’s, ainda Ary Barroso e Lupicínio. Dá pra cansar ?

 

Bom, vamos às faixas:

 

Dois Pra Lá, Dois Pra Cá – O bolero dor de cotovelo com direito à band-aid no calcanhar e uísque com guaraná. Vídeo-clipe do Fantástico raro (!!!), vale a fuçada: http://www.youtube.com/watch?v=GRjT0naFr_w

O Mestre-sala Dos Mares – Diretamente do show inaugural do Teatro Bandeirantes:   http://www.youtube.com/watch?v=n6-i_XQsxCE&feature=related

Na Batucada Da Vida – Poesia urbana diretamente da ‘orgia’, acabando de madrugada em grossa pancadaria. Relevem as legendas em espanhol ...   http://www.youtube.com/watch?v=NBep9tG5io0

Conversando No Bar – Outra ‘moda’ de Milton, ‘nas asas da Panair’: http://www.youtube.com/watch?v=VKHFXDAY7TI  

 

As 3 que eu comecei a citar, uma pena que não achei vídeos ou áudios:

- Maria Rosa: Sofrida a Maria, que vestia farrapos, calçava tamancos, vivia pedindo pedaços de pão. Bolerão daqueles, uma dor .... seu nome é Maria Rosa, seu sobrenome Paixão !!!

- Caça à Raposa – Narrativa de uma caçada de um mestre Bosco, mais descritivo e visual impossível, um primor. ‘O olhar dos cães/ A mão nas rédeas / E o verde da floresta / Dentes brancos, cães / A trompa ao longe /
O riso, os cães / A mão na testa ...’.

- O Compositor Me Disse: Essa é terapêutica, da leva zen que Gil estava produzindo, como se o mestre a ensinasse as respirações corretas da canção. Tem que ouvir e sentir a respiração final dela. ‘ ... O compositor me disse que eu cantasse ligada no vento / Sem ligar / Pras coisas que ele quis dizer / Que eu não pensasse em mim nem em você / Que eu cantasse distraidamente como bate o coração / E que eu parasse aqui / Assim’

 


1. Na batucada da vida (Ary Barroso - Luiz Peixoto)
2. Travessia (Milton Nascimento - Fernando Brant)
3. Conversando no bar (Milton Nascimento - Fernando Brant)
4. Ponta de areia (Milton Nascimento - Fernando Brant)
5. O mestre sala dos mares (Aldir Blanc - João Bosco)
6. Amor até o fim (Gilberto Gil)
7. Dois pra lá, dois pra cá (Aldir Blanc - João Bosco)
8. Maria Rosa (Alcides Gonçalves - Lupicínio Rodrigues)
9. Caça à raposa (Aldir Blanc - João Bosco)
10. O compositor me disse (Gilberto Gil)



Escrito por niltonsb às 00:22
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   PÁSSARO DA MANHÃ - MARIA BETHÂNIA

PÁSSARO DA MANHÃ - MARIA BETHÂNIA (PHILIPS, 1977)

 

 

 

Uma vez, numa loja, escutei um rapaz dizendo que, quando era criança, morria de medo daquela capa. Achei engraçado o comentário e virei a cabeça pra ver qual era o motivo que aterrorizara o garoto. O disco era ‘Pássaro da Manhã’. Claro que a foto não tinha nenhuma modelo, mas simplesmente Bethânia, em mais uma de suas inúmeras capas de discos, sem uma merecida produção e fotos condizentes com a artista que é. Isso era comum nos discos dos anos 70. Como se o cantor tivesse que vender somente a voz, nem tanto sua imagem.

Refleti melhor sobre a frase dessa pessoa e pensei que o que mais me chamava atenção nesse LP, eram os textos que a abelha-rainha declamava, intercalando com pérolas da MPB. E foi baseado nisso que resolvi postá-lo. Existem ‘n’ outros discos de Betha que são igualmente importantes, mas depois de escutar esse, e da maneira como foi concebido, achei que também era oportuno e não tão menos emocionante, seja pela interpretação dos poemas, seja pela música. Mas principalmente porque ela sabe como fazer bem as duas coisas e interligá-las de forma arrepiante.

 

Foi o primeiro disco onde Bethania declamava em estúdio, e entre cada poema, intercalava sucessos da época, já gravados por outros artistas. Ela devora cada palavra que vai declamando, a emoção flui de tal forma que até parece que foi a própria quem escreveu cada poema. E olha que Fernando Pessoa, Clarice Lispector e Fauzi Arap, não é para qualquer um interpretar. E as músicas então, desde Caetano, Isolda, Chico e Gonzaguinha, voltando no tempo para Lupicínio Rodrigues, Ary Barroso, Evaldo Ruy, Custódio Mesquita.

 

 ‘Pássaro Da Manhã’ saiu em capa dupla, com a tal da foto emoldurada por faixas prateadas verticais. Um dos grandes sucessos do disco, ‘Terezinha’, teve a clássica representação (à la videoclipe) no programa dos Trapalhões, onde o Didi estava caracterizado de Bethânia e os outros 3 comediantes fazendo seus três amantes. Uma pândega, que acabou marcando ainda mais o hit. Mas o vídeo em anexo (http://www.youtube.com/watch?v=qKq0hz44GnQ ) é de clipe de Fantástico e da época.

 

Abaixo o texto de Fauzi Arap e, em vídeo (http://www.youtube.com/watch?v=BDcFa16ZisY&feature=PlayList&p=E2CD8475A7661340&playnext=1&playnext_from=PL&index=4), seguido de outro clássico do nosso cancioneiro, ‘Um Jeito Estúpido De Ser’.

 

 

Texto de Fauzi Arap

Eu vou te contar que você não me conhece...
E eu tenho que gritar isso porque você está surdo e não me ouve!
A sedução me escraviza à você ...
Ao fim de tudo você permanece comigo, mais presa ao que eu criei e não a mim .
E quanto mais falo sobre a verdade inteira um abismo maior nos separa ....
Você não tem um nome, eu tenho...
Você é um rosto na multidão,
e eu sou o centro das atenções,
Mas a mentira da aparência do que eu sou,
e a mentira da aparência do que você é .
Por que eu, eu não sou o meu nome, e você não é ninguém ...
O jogo perigoso que eu pratico aqui,
ele busca a chegar ao limite possível da aproximação.
Através da aceitação, da distância, e do reconhecimento dela.
Entre eu e você existe a notícia que nos separa ...
Eu quero que você me veja nu, eu me dispo da notícia.
E a minha nudez parada, te denuncia, e te espelha...
Eu me delato, tu me relatas...
Eu nos acuso, e confesso por nós.
Assim, me livro das palavras,
Com as quais você me veste.

 

 

Faixas:

01 - Texto de Fernando Pessoa (fundo musical "Até pensei" – Chico Buarque)
02 – Tigresa (Caetano Veloso)
03 - Texto de Fauzi Arap (fundo musical "Jogo de Damas" / Um Jeito Estúpido De Te Amar - Isolda & Milton Carlos)
04 - Começaria Tudo Outra Vez (Gonzaguinha)
05 – Promessa (Custódio Mesquita - Evaldo Ruy)
06 – Gente (Caetano Veloso)
07 – Texto de Maria Bethânia / Há um Deus (Lupicínio Rodrigues)
08 – Terezinha (Chico Buarque)
09 - Cabocla Jurema (adaptação: Rosinha de Valença) / Por Causa Dessa Cabocla (Ary Barroso - Luiz Peixoto)
10 - Texto de Clarice Lispector (fundo musical "Um Índio" – Caetano Veloso) / O Que Será (Chico Buarque)



Escrito por niltonsb às 00:23
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   TIME OUT - THE DAVE BRUBECK QUARTET

TIME OUT – THE DAVE BRUBECK QUARTET (COLUMBIA, 1959)

 

 

 

E por falar em comemorações de 50 anos, mais um evento na música esse ano. O lançamento de um clássico de todos os tempos, o disco ‘Time Out’ aparecia nas rádios e vitrolas no ano de 1959. Ele teve uma recepção não muito confiante na época devido às inovações apresentadas pelo quarteto liderado pelo pianista americano Dave Brubeck. Todas as faixas têm métricas diferentes do usual, de compassos ímpares (9/8, 5/4), diferentes do que se estava acostumado, que eram pares (4/4). Calma ... o ouvido se acostuma com esses detalhes técnicos. É acompanhar as batidas e contar cada movimento.

Ele foi meu primeiro disco desses mestres e acelerou ainda mais minha curiosidade e respeito por jazz. Não é fácil de se escutar e entender o estilo, mas nada impossível, depois que se ouve essa obra-prima. Feel it !!!

 

‘Time Out’ já começa inovando na capa. Traz uma pintura contemporânea do artista Neil Fujita, abstrata e complexa como o disco, começando daí o interesse dos artistas e gravadoras a utilizar desse recurso artístico para vender e ilustrar as obras jazzísticas. Mais tarde, Miró teria sua obra ilustrada em capa de Brubeck, entre outros. Vem com inovações de estilo e inspirações orientais, uma vez que o quarteto estava excursionando pelo outro extremo dos EUA. Na edição comemorativa, há um DVD com o mestre comentando detalhes do disco numa entrevista de 2003, e tomadas de seu piano, ensinando essas mudanças na música. Um aprendizado mais do que valoroso.

 

É nele que se encontra o clássico dos clássicos ‘Take Five’, composta pelo saxofonista integrante do grupo, Paul Desmond, e conhecida pela sua métrica a cinco tempos e pelo maravilhoso solo de bateria de Joe Morello, outro integrante. Ouça http://www.youtube.com/watch?v=vmDDOFXSgAs&feature=related !! Um hino ao bom gosto e boa música.

 

Também sai de ‘Time Out’ outro clássico ‘Blue Rondo à La Turk’ (com menção à obra conhecida de Mozart, ‘Rondo Alla Turca’) http://www.youtube.com/watch?v=kc34Uj8wlmE .

 

Se falar mais, corro o risco de falar demais. Tem que ser ouvido. Necessário !!!!

 

No LP original:

Lado A

  1. "Blue Rondo à la Turk" – 6:44
  2. "Strange Meadow Lark" – 7:22
  3. " Take Five” – 5:24

Lado B

  1. "Three to Get Ready" – 5:24
  2. "Kathy's Waltz" – 4:48
  3. "Everybody's Jumpin' " – 4:23
  4. "Pick Up Sticks" – 4:16


Escrito por niltonsb às 00:55
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   TOMATE - KID ABELHA

TOMATE – KID ABELHA E OS ABÓBORAS SELVAGENS (WARNER, 1987)

 

 

 

Pra quem achava que a maioria das bandas de rock surgidas no início dos anos tinham vida curta, o KAAS estava provando o contrário e, ainda mais, amadurecendo e radicalizando nos temas a serem tratados nos discos que seguiriam. A saída de Leoni foi um desses fatores de crescimento também, uma vez que ele era um dos principais letristas da banda, além de comandar o baixo e um pouco do microfone. Aquela época de banda recém saída de universidade já tinha passado pra eles e, chegava a hora de dizer coisas que condiziam mais com esse novo ciclo. E por que não beber na fonte dos modernistas ?

 

“O tomate é um falso Cometa, um falso Marte; o tomate ainda pensa em brilhar, sem nenhum tato.” 

 

Inspirado no poeta Murilo Mendes, expoente do surrealismo brasileiro, o Kid Abelha busca inspiração no livro ‘Poliedro’, de onde extraíram a frase acima, e fazem de ‘Tomate’, a sua obra de ruptura, assim por dizer. Os temas já são mais elaborados e o tomate vira fetiche para estes jovens. Como parte da mudança total, à partir desse disco, a vocalista abelha radicaliza no visual, inclusive. Fica loira platinada e com sexualidade aflorada para a turnê do disco. Com mais produção e elementos cênicos criativos, num belo e interessante show de rock. A banda cresceu, deixou a adolescência e consolidou-se como um dos principais nomes do BRock na época.

 

O disco foi lançado em edição de capa dupla, tipo luxo, onde a capa tem foto do referido fruto, emoldurado por um ‘passe-partout’ de granito, dando ainda mais sentido ao surrealismo do poeta-inspirador e tema escolhidos – o tomate. Os abelhas mixaram-no em Londres e o ex-Mutante Liminha cuidou da direção artística. Além da forcinha que teve pela novela das oito do mesmo ano, onde o tema da Malu Mader era a faixa ‘Amanhã É 23’. Sucesso à vista !

 

‘Molhos’ principais e em clipes ‘poeira’ do Fantástico:

- ‘Me Deixa Falar’ abre o disco já se impondo e querendo ouvidos, para o novo discurso/estilo/letras que lançavam. (‘... se não me escutar / cuidado comigo / eu perco a razão / atiro tudo o que eu tenho na mão). http://www.youtube.com/watch?v=Rptu2C0IrsY&feature=related

 

- Tomate, do modernismo ao BRock, com direito à trocadilho ‘too much’ do falso cometa. ‘Você não entendeu a minha explicação’ !!!   http://www.youtube.com/watch?v=wB36mKW-8cU

 

- Amanhã É 23 – Sem tantas apresentações, sucesso do ano e hit da banda  http://www.youtube.com/watch?v=cL3rYKfwscg

 

Antes de jogar tomates, ouça, respeite e reconheça !!!!

 

 

- Me Deixa Falar (George Israel – Paula Toller)

- Eu Preciso (George Israel – Paula Toller)

- No Meio Da Rua (George Israel – Paula Toller)

- Dança (George Israel – Paula Toller)

- Tomate (George Israel – Paula Toller)

- Leão (George Israel – Paula Toller)

- Mais Louco (George Israel – Paula Toller – Nilo Romero)

- Amanhã É 23 (George Israel – Paula Toller)

 



Escrito por niltonsb às 23:31
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   ENTRE-POST DA 'VOLTA'

 

 

‘... Eu voltei / Agora ficar / Porque aqui / Aqui é o meu lugar / Eu voltei / Pras coisas que eu deixei / Eu voltei ...’

Não à toa que escolhi esse trecho de uma conhecida canção do RC para começar esse ‘entre-post’, justamente para ilustrar esse período da minha vida.

Voltando às raízes, as pessoas próximas, aos sons locais, aos odores e sabores tropicais, após uma frutífera temporada alpina.

Por isso a ausência temporária, para recarregar, colocar a vida nos trilhos, rever tudo e todos que eu também deixei (vou por partes, quero ver todos sim !!!). Enfim, I’m back, e muito feliz !!!!

Também a escolha pelo RC, pelo fato de eu ter voltado ao nosso país, em pleno ano de comemorações dos seus merecidos 50 anos de carreira. Impossível o Robertão ter passado pela sua, pela minha, pela nossa vida, sem ter deixado nenhuma marca, som, canção que nos tocasse ou pelo menos, a gente não soubesse a letra. Me lembro muito de ter escutado essa música citada, ‘O portão’, ainda criança. Ela não deixa de ser um hino à volta, seja qual for o motivo da partida. Então empresto essas palavras para expressar ‘esse momento lindo’ da vida.

 

Espero te ver logo !!!! Se já não o fiz ......

 

N.

 

PS (Enquete).: Falando em Roberto Carlos, qual a música dele que você mais gosta ou que te toca mais ? Eu gosto de ‘Proposta’ e ‘O Côncavo E O Convexo’, acho que elas são complementares.

Escreva a sua preferida aqui embaixo, nos comentários. J



Escrito por niltonsb às 23:19
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   HERE, MY DEAR – MARVIN GAYE

HERE, MY DEAR – MARVIN GAYE (MOTOWN, 1978)

 

 

Já é sabido que a vida imita a arte e a arte imita a vida, mas existem artistas que levam isso tão à sério que fica difícil dizer quem foi que começou tudo, se a vida, ou se a arte.

No caso de ‘Here, My dear’, é clara a situação em que se encontrava Marvin Gaye, no quesito ‘matrimônio’. Foi disco pós-separação que serviu pra pagar a pensão de sua ex-esposa Anna Gordy (filha do dono da gravadora Motown) que, quase pensou em processá-lo por invasão de privacidade, pelo fato de  ter explorado intimidades do casal. Apesar de ter sido lançado com toda essa problemática de fim de casamento, não obteve sucesso comercial, mas não deixa de ser uma obra confessional e tanto, sempre com seu suingue inconfundível. Pelo fato de Marvin ter que pagar a pensão à ex com os royalties do disco, pensava-se que ele faria uma obra menor e mais ‘preguiçosa’. Pelo contrário, Marvin colocou suas emoções mais profundas nas letras, inspiradíssimo pelo recente ocorrido com a ex, e a atual que chegava em paralelo na sua vida.

A crítica especializada foi impiedosa com o disco no seu lançamento, mas ao longo do tempo, justiça foi feita, e os mesmos reconheceram em posteriores relançamentos e remasterização para CD e comemorações póstumas, que esse é um disco importante na carreira de Marvin. Foi reposicionado como um dos 500 maiores trabalhos em disco da história da música (Revista Mojo e Rolling Stones).

 

‘Here, My Dear’ veio em formato álbum duplo, quando lançado em disco. A foto desse post é do relançamento em CD duplo, com vários extras de estúdio, porém o mesmo layout da capa original, com desenho de Marvin (como um deus negro) ao redor de esculturas e colunas, com poucas cores (sépia e preto) e poucos detalhes coloridos, como o par de rosas e as pequenas chamas. Também tem duas inscrições em pedra, com as palavras ‘Love and marriage’ (Amor e casamento), e ‘Pain and Divorce’ (Dor e Divórcio), ironizando o que vinha acontecendo em sua vida pessoal. O título, ‘Here, My Dear’ (ou ‘Aqui, minha querida’) pode ser interpretado como uma resposta de Marvin à ex, dando-lhe o divórcio (ou a pensão), como querendo dizer, ‘Aqui está o que você quer, minha querida ex’.

Na minha (re)descoberta Marvin, esse foi o que mais me chamou atenção, foi paixão imediata, apesar de ser difícil de escolher entre o melhor ou mais importante disco dele.

 

Algumas canções:

- Here, My dear: Já começa com recado dado à ex, passando à limpo a antiga relação, e mandando recados ‘você não precisa usar meu filho pra me colocar na linha’, e por aí vai .... a coisa devia fervilhar mesmo !!!!!

- I Met A Little Girl: já dá sinais de um novo amor em vista, mas parece que já tava rolando ....

- When Did You Stop Loving Me, When Did I Stop Loving You: pra mim a mais sensual do disco, com o título que já diz tudo, ‘quando você deixou de me amar, quando eu deixei de te amar’. Linda música, arranjo, emoção e alma de um Marvin apaixonado, resumindo seu antigo amor.

- Anger: com mensagens religiosas e pregando que a raiva te deixa doente, idoso e destrói sua alma.

- Anna’s Song: ‘Hey Anna, aqui está a sua canção, aquela que eu tinha prometido...’

- A Funky Space Reincarnation: Funk dos bons, anos 70, com muito ‘peace and Love’ e alguma astrologia. Ginga total.

 

Há uns meses atrás, estava disponível no Youtube, todo o disco, porém, forças ocultas (de direitos autorais talvez) limaram todos os vídeos/áudios do ar.

Tenho aqui um link do Amazon.com, sempre com aquela palhinha amiga do disco inteiro. E esse link é o da edição especial, luxo total, indispensável !!!

 

http://www.amazon.com/gp/product/B0010V4UB8/ref=s9_simp_gw_s0_p15_i1?pf_rd_m=ATVPDKIKX0DER&pf_rd_s=center-2&pf_rd_r=19JPC0543T614SK8M090&pf_rd_t=101&pf_rd_p=470938631&pf_rd_i=507846

 

Original LP

1. Here, My Dear

 

2. I Met a Little Girl

 

3. When Did You Stop Loving Me, When Did I Stop Loving You

 

4. Anger

 

5. Is That Enough

 

6. Everybody Needs Love

 

7. Time To Get It Together

 

8. Sparrow

 

9. Anna's Song

 

10. When Did You Stop Loving Me, When Did I Stop Loving You (Instrumental)

 

11. A Funky Space Reincarnation

 

12. You Can Leave, But It's Going To Cost You

 

13. Falling in Love Again

 

14. When Did You Stop Loving Me, When Did I Stop Loving You (Reprise)

 

15. Extra: Ain’t It Funny (How Things Turn Around) alternate mix by Bootsy Collins

 

 

 



Escrito por niltonsb às 19:42
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   ENTRE-POST LIVRO 3 - JAZZ COVERS

JAZZ COVERS  -  JOAQUIM PAULO (ED. TASCHEN 2008)

 

 

 

Mais uma daquelas maravilhas que a Editora Taschen nos delicia, esse livro de fotos todo concentrado em cerca de 650 capas de discos de Jazz, do período de 1940 até 1990. Ele foi concebido pelo colecionador português Joaquim Paulo Fernandes numa seleção de 25000 discos de jazz, não necessariamente o estadunidense. Há exemplares argentinos, poloneses, brasileiros e russos, que vão de Miles Davis, Chet Baker, Bill Evans, Ella Fitzgerald e o nosso Moacir Santos.

O autor além de consultor, está ligado à diversas rádios de Portugal e tem uma editora, o Mad About Records.

Dando uma boa olhada nas que foram escolhidas, vê-se que existem alguns pontos em comum dos artistas desse estilo, no que se refere às suas capas: a relação íntima com o seu respectivo instrumento; uma preocupação com o grafismo ao redor do artista, como se lhe fosse uma moldura; um certo sexismo, com escolhas de mulheres em poses sensuais; e um certo nonsense, pois o que importa é o som, não a capa.

Vale citar que o livro foi editado pelo designer gráfico brasileiro Julius Wiedemann.

A Taschen sempre nos presenteando com coisas interessantes de excelente qualidade e conteúdo. Aguardem o próximo título.

 

 

    

 

Algumas das capas selecionadas (da esq. para a dir.), nesta ordem:

Jazz Contrasts – Kenny Dorham

Out Of The Cool – The Gil Evans Orchestra

A Bowl Of Soul – Richard ‘Groove’ Holmes

Saudade – Moacir Santos

Pharoah Sanders Quartet

 

 

 

 

PS.: Em tempo, ando numa correria daquelas, queria poder postar aqui todos os dias, mas até que as coisas voltem ao seu curso normal, espero que possam compreender essa baixa produtividade aqui do blog. J

 



Escrito por niltonsb às 19:23
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   CAETANO VELOSO - TRANSA

TRANSA - CAETANO VELOSO (PHILIPS, 1972)

 

 

 

Costumo associar as músicas ou discos, com os lugares que conheço, ou por um fato ocorrido. É assim com as comidas, com os cheiros e mesmo as pessoas, entre outras tantas imagens e sons que se acaba por encontrar em diversas cidades do mundo. Pode ser algum cd que tenha comprado ou ouvido localmente, pode ser algum que vem à cabeça. Com ‘Transa’ não poderia deixar de me ter sido associação direta com a cidade de Londres. Na minha primeira ida lá, ele vinha como pensamento, era a trilha da minha viagem à terra da rainha, que produzia tantas outras bandas e artistas igualmente interessantes e importantes. Mas Caetano foi mais presente. E semana passada, numa outra ida lá, o mesmo fato se repetia. Ou seja, já é parte da bagagem.

Tal relação com esse disco não é à toa. Caetano o gravou lá em sua estadia forçada no início dos anos 70. Todo o seu sentimento com o que estava acontecendo em sua vida exilada no estrangeiro era traduzido em uma das excelentes obras de sua discografia. Carregada de tristeza, emoção, deboche, ‘hippismo’, coletivismo, novos sons e uma nova marca em seu estilo, mais orgânico, tendo sido (re) começado com seu disco anterior, gravado um ano antes, nas mesmas condições e local.

 

‘Transa’ foi lançado como capa tripla, num dobra e desdobra que, segundo o próprio Caetano, ‘parecia um abajur’ e que nem sequer foram creditados os músicos que participaram da gravação. Ele vem com uma foto do Caetano em P&B numa metade e a outra metade toda vermelha, sangue, bem chamativa e forte. Entre as participações, temos Gal, que aparece em três faixas e, Ângela Rorô que toca gaita em ‘Nostalgia’. Ele inicia uma trilogia ‘experimentalista’, seguido por ‘Araçá Azul’ e ‘Jóia’ e foi gravado como se fosse um show ao vivo. É considerado um dos melhores discos brasileiros e está sempre entre as melhores posições em qualquer lista. Curioso é que ele é cantado quase que em sua maioria, em inglês (fora ‘Triste Bahia’ e ‘Mora Na Filosofia’) e citações de outras obras sempre em português.

 

Começa muito bem marcado no arranjo com ‘You Don’t know me’ ( http://www.youtube.com/watch?v=V9VWTul_Pf0  ) – Ataca com poesia caetanística em inglês, termina com suas bossas nordestinas e citações à Edu Lobo. Laia ladaia sabatana ave Maria !!!! Gal entoa introdução de ‘Saudosismo’, do próprio.

‘Nine Out Of Ten’  (http://www.youtube.com/watch?v=GkZCYezBuAw&feature=related ) é talvez, um dos primeiros reggaes nacionais e, para mim, a canção que me faz lembrar de cara, da capital britânica. Vou descendo a Portobello Road, ao som do reggae, eu estou vivo !!!

‘It’s a Long Way’ (http://www.youtube.com/watch?v=NRP4fxEORX0&feature=related ) me lembra Beatles em fim de carreira, com toques de melancolia e saudade, entremeados dos versos de Zé do Norte (‘ .... Arrenego de quem diz / Que o nosso amor se acabou / Ele agora está mais firme / Do que quando começou ....)

‘Triste Bahia’ é inspirado em poesia de Gregório de Mattos, com inserções de ciranda, em pleno céu de chumbo londrino. Imagina só o lelê !!!

‘Mora Na Filosofia’ regravação do samba do mestre Monsueto Menezes, vem com toda a carga emotiva de um Caetano longe de sua terra e de sua liberdade. Pra que rimar amor e dor ?

 

Realmente, um clássico, uma obra visceral.

  1. "You Don't Know Me" (Caetano Veloso) – 3:49
  2. "Nine Out of Ten" (Caetano Veloso) – 4:57
  3. "Triste Bahia" (Gregório de Mattos Guerra, Caetano Veloso) – 9:47
  4. "It's a Long Way" (Caetano Veloso) – 6:07
  5. "Mora na Filosofia"( Monsueto Menezes, Arnaldo Passos) – 6:16
  6. "Neolithic Man" (Caetano Veloso) – 4:55
  7. "Nostalgia (That's What Rock'n Roll Is All About)" (Caetano Veloso) – 1:22


Escrito por niltonsb às 20:00
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   JAMIROQUAI - A FUNK ODISSEY

JAMIROQUAI - A FUNK ODISSEY (EPIC, 2001)

 

 

 

Certa feita me disseram que pra se ouvir Jamiroquai, bastava apenas colocar as duas primeiras músicas do cd, e logo já se conhecia o resto, pois pra essa pessoa de ouvidos tortos, tudo era o mesmo. Som igual, voz e agudos sempre constantes, segundo o mesmo interlocutor. Achei um comentário um tanto pobre, sem muito fundamento, principalmente porque a pessoa é desinformada total. Não dei tanto ouvido, já conhecia a banda e já tinha visto o show deles no Via Funchal em 1999. Eu queria mais era ouvir o disco inteiro. Principalmente no fim, pois tem sempre uma surpresinha escondida.

E quando eles lançaram ‘A Funk Odissey’, pensei com meus botões musicais que, na verdade, a gente tem que ouvir e dançar o disco inteiro. E esse aqui, tem vários estilos que o nosso Buffalo Man do pop, Jay Kay, nos oferece, agora já menos com aquela semelhança vocal de Stevie Wonder, do seu começo de carreira, mas em pleno auge e reconhecimento dessa deliciosa banda britânica de pop rock, funk, acid jazz, fusion, disco, eletrônica, etc.

 

‘A Funk Odissey’ é o quinto disco da banda, com capa colorida de feixes de raio laser, e em pleno destaque, Mr. Kay, agora sem o chapéu ícone da banda (o dos Buffalo’s, vide o desenho dos Flintstone’s), mas com um cocar todo estiloso, assim como seu vocalista mais ‘tribal’ do rock britânico. Não tem como passar batido por esse disco, uma vez que já começa bem em ritmo de balada e ‘dancefloor’ total.  É o reconhecimento da banda no cenário musical mundial.

Little L: ( http://www.youtube.com/watch?v=lJj2v37T9xA ) não deixa por menos e põe na pista um fim de amor, de amor pequeno, um ‘little l’ (l de Love). ‘ .... You make me love you, love you baby
With a little l …’

- You Give Me Something:  http://www.youtube.com/watch?v=JLJUjyZe8iI  em clima total de balada, mulheres, carros e vybe.

- Love Foolosophy:  http://www.youtube.com/watch?v=7Hiy-E5w9eE&feature=channel_page  Nosso baladeiro prossegue com amor tolo e filosofias.

- Black Crow: http://www.youtube.com/watch?v=5AUkSZS9hhY&feature=related  O momento mais intimista, mas que Jason Kay reverencia os corvos. Engraçado que no post anterior, Jobim fazia o mesmo com os urubus....

- Picture of my life:  http://www.youtube.com/watch?v=MHCQ__AqzHA  Momento bossa inglesa.

 

Eles estão aí já um bom tempo e só me trazem coisas boas. ‘A funk Odisssey’ era um disco que eu ouvia direto na rádio de uma academia que fazia. E entre uma música e outra, vamos para mais uma série .... ânimo, força !!!!

 

  1. "Feel So Good" - 5:21
  2. "Little L" - 4:55
  3. "You Give Me Something" - 3:23
  4. "Corner of the Earth" - 5:40
  5. "Love Foolosophy" - 3:45
  6. "Stop Don't Panic" - 4:34
  7. "Black Crow" - 4:02
  8. "Main Vein" - 5:05
  9. "Twenty Zero One" - 5:15
  10. "Picture Of My Life/So Good To Feel Real" (faixa escondida) - 6:17


Escrito por niltonsb às 18:06
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   URUBU - TOM JOBIM

URUBU – ANTÔNIO CARLOS JOBIM (WARNER, 1975)

 

 

 

Tom Jobim tem em seu cancioneiro uma coleção infindável de clássicos, que todo mundo conhece, já ouviu e, pelo menos uma vez na vida, se viu cantando algum deles. Não tem como não fugir disso. Eu mesmo, já cantei, ou melhor, fui ‘convidado’ a cantar ‘Garota de Ipanema’ pra gringo, quase que empurrado pro lado do pianista que estava no local. Não pela música, mas o mico foi inevitável, e sorte que a letra estava na cabeça .... mas abafa, nada que duas ou três doses não ajudassem a superar o ocorrido !!!!

Além de todos esses clássicos, existem outros interessantíssimos lados B’s não tão executados ou divulgados como mereceriam, e sem contar na sua magnífica obra instrumental, que me foi, durante um tempo, objeto de desejo para pesquisa e garimpagem, mas também como forma de ir além de ‘Dindi’, ‘Tetê’, ‘Luiza’, ‘Sabiá’.

E ‘Urubu’ me caiu como uma luva, nessa época de aprofundamento na obra jobiniana. Ele sendo composto de um lado A de não-clássicos e, de um lado B só instrumental, expondo seu lado maestro, com raízes no Brasil de seus mestres (Radamés Gnatalli e Villa-Lobos) e de suas fontes de riquezas naturais. Um primor.

 

‘Urubu’ é mais uma daquelas obras sofisticadas do mestre, unindo o popular e o erudito, com todas as referências do Brasil e da brasilidade do som de Jobim, num disco gravado todo nos EUA, com arranjos do alemão Claus Ogerman (que atualmente produz e arranja os discos de Diana Krall), participação da Sinfônica De Nova York, do baixista Ron Carter. Do Brasil, participa Miúcha, com vocal na faixa inicial, ‘Boto’, e que também futuramente, dividiria outros dois discos com ele. Sua capa, obviamente, tem a foto de um altivo urubu em momento de observação, com um luar ao fundo. Essa é a capa original do disco. No lançamento posterior em cd, foi adicionada uma foto de Tom e umas nuvens, confundindo e ‘detonando’ um pouco a belíssima capa original. Um pecado, mas acontece quase que sempre, em lançamentos de obras de vinil à cd.

 

‘Boto’ - Linda homenagem ao mamífero cetáceo, com inúmeras citações da nossa cultura, tão bem divulgada por Tom. Começa com berimbau e assovios de pássaros, quer coisa mais nacional ?! O vídeo é de apresentação em homenagem ao mestre, realizada em Tóquio em 2007, com Miúcha e Paulo Jobim nos vocais  http://www.youtube.com/watch?v=m3vpKVkn5jc

‘Correnteza’, outra obra sutil e de cunho ecológico, que aqui vem do acervo de concertos de Jobim e a sua Banda em apresentação ao vivo - http://www.youtube.com/watch?v=8ZxxEf3hWXc

‘Lígia’, mais uma das mulheres cantadas (literalmente) por Jobim, num vídeo de especial de fim de ano do Roberto Carlos -  http://www.youtube.com/watch?v=PzMGgLkCfkc&feature=related

 

Ou, uma amostra de todo o disco, via amazon.com, e com a foto que saiu em cd (depois me comente qual você preferiu) http://www.amazon.com/gp/recsradio/radio/B000056OZO/ref=pd_krex_dp_a  

 

 

Inicialmente, o disco se chamaria ‘Boto’, mas Tom quis homenagear o urubu, por considerar este, o animal mais injustiçado e menosprezado pelo homem. Leiam abaixo texto do próprio para a contracapa:

 

 

‘Jereba é urubu importante como, aliás, todo urubu. Mas entre eles, urubus, observam-se prioridades. E esse um é o que chega primeiro no olho da rês.

Sem privilégios. Provador de venenos, sua prioridade é o risco. O que ele não toca é intocável. Jereba é urubu importante e por isso ganhou muitos nomes.

Peba. Urubupeba. Urubu Caçador. Achador. Urubu Procurador. Urubu de Cobra. Urubu de Queimada. Camiranga. Urubu de Ministro. De cabeça Vermelha. Urubu Gameleira .Urubu Peru. Perutinga. Urubu Mestre. Cathartes Aura.

Não confundir com Urubu Rei. Nem é Urububu. Não tem pompas, nem é tão igual assim. Só se parece consigo mesmo.

Não é Urubutinga. Nem Urubu do Mar, Carapirá. Nem o de Cabeça Amarela, nem o famoso Urubu Chacareiro, que voa baixo sobre chácaras e quintais, só come manga e não existe.

É mentira de caçador perna-de-pau, de cadeira de balanço, de aposentada carabina.

Nem mera citação de nomes - Urubu Sonho. Nem conotação de azar - Urubu Morcego. Na verdade não és culpado da nossa devastação.

Corcovado de duas corcovas, solenes ombros altos de tanta asa sobrante, as mãos cruzadas às costas, narinas conspícuas vazadas, grave, ministro de assuntos impossíveis, só tu sentas à mesa com o Rei.

No chão não te moves bem. Fraco de pernas, maljeitoso, troncho, pousado és o mais feio dos urubus. Despropositado passarão.

Matas com fezes ácidas a árvore onde dormes à espera do dia solar. E vem o dia, as termais e o vento, e a necessidade de voar.

Dia velho, as asas aquecidas, o Jereba mergulha na piscina. Pé de serra, fim de baixada onde começa a ladeira e os contrafortes azulam na distância, o Jereba sobe na chaminé do dia. Urubupeba.

As rêmiges das asas púmbleas, prata velha fosca, dedos de mão apalpando o vento, adivinhado tendências. Urubu Mestre.

As grandes asas expandidas cavalgam as bolhas de ar quente emergentes da ravina.

Tolo papagaio, tola pipa boiando no ar, não-querente, não desejo navegante, à deriva, à bubuia - pois sim! - preguiçoso atento dormindo na perna do vento. Esse sabe o que há de vir. Aquário do céu.

Teu canto imita o vento. Hisss... As asas agora curtas, sobraçando trilhos de ar, pacote negro compacto, bico cravado no vento, velocidade feita letal, muro de azul aço abstrato - e adeus viola que o mundo é meu.

Nas lentes dos olhos, a águia oculta y entrabas e salias por las cordilleras sin pasaporte.

Urubu procurador. Urubu Achador. Que sabes do alto o que se esconde no chão da mata virgem e dos muitos perfumes que sobem do mundo.

Eterno vigia de um tempo imperecível. Guardião de dois absurdos.

Nos vetustos paredões de pedra, esculpidos pela millennia, dorme de perfil um urubu.

A vida era por um momento.

Não era dada. Era emprestada.

Tudo é testamento.‘

Antonio

 

Assim como o pássaro, que é considerado o ‘lixeiro’ dos animais, ‘Urubu’, o disco, é aquele que me faz esquecer de toda a porcaria que vem sendo jogada nas ondas. É uma obra-prima, e como tal, merece reverência e respeito.

  

1 – Boto (Porpoise) – Antônio Carlos Jobim / Jararaca

2 – Lígia – Antônio Carlos Jobim

3 – Correnteza (The Stream) – Antônio Carlos Jobim / Luiz Bonfá

4 – Ângela – Antônio Carlos Jobim

 

5 – Saudade Do Brazil – Antônio Carlos Jobim

6 – Valse – Paulo Jobim

7 – Arquitetura De Morar (Architecture to live) – Antônio Carlos Jobim

8 – O Homem (Man) – Antônio Carlos Jobim



Escrito por niltonsb às 10:19
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   RAY OF LIGHT - MADONNA

RAY OF LIGHT – MADONNA (MAVERICK, WARNER 1998)

 

 

 

Algumas vezes acontece de a primeira audição de um disco não descer bem pela garganta, ou melhor, pelo ouvido. Foi o que me ocorreu quando ouvi ‘Ray Of Light’ pela primeira vez, em festa na casa de alguém, e com muito palpite ao redor. Definitivamente, não é o melhor momento e lugar pra se escutar um disco recém-lançado da Madonna, a não ser que seja pra se dançar, mas daí é outro assunto ....  

Além da primeira impressão não ter caído tão bem assim, algo estava mudando no som que ela trazia. Madonna vinha de alguns últimos discos um pouco mais melosos (Bedtime Stories e a trilha de Evita), e sinceramente, deu uma brochada. Mas tudo bem, até aí, ela sempre experimenta novos caminhos e a gente super respeita, pois ela pode.

Teve sua primeira filha, casou (ou não), descasou e, principalmente, converteu-se à Cabala. Ficou mais zen ?! Impossível em se tratando dessa locomotiva, zenitude é algo que não combina com ela, mas quem sabe, fora dos palcos .....

Voltei a escutar esse disco com mais cuidado um ano depois, sozinho, e no carro, em algum bom trânsito em SP, tendo sido impelido à aquisição do cd por 2 músicas: ‘Ray Of Light’ e um mantra que ela nos cantava, ‘Shanti/Ashtangi’. E não é que caí de quatro pelo disco ?

Ela vinha cada vez mais eletrônica, misturando estilo e filosofia de vida, religião, yoga, e seu ‘savoire faire’ em tudo o que faz, nesse bolo todo que é esse disco, que pra mim, é um dos seus melhores.

 

‘Ray Of Light’ foi muito bem recebido pela crítica, justamente pelo fato de Madonna estar cantando melhor, mesclar todos esses pontos citados e por nos apresentar de uma forma mais artística e musical, essa doutrina esotérica que é a cabala (ou Kahbalah). É muita informação prum disco só né ?! Mas desde quando essa mulher passa batido em alguma fase de sua vida ?!

O disco tem uma excelente capa azul berilo, com uma Madonna loira normal de longos cachos esvoaçantes, com um perfil suspeito, querendo dizer que ainda há mais surpresas nessa caixa de Madonna, ops, Pandora.

Prestei mais atenção nele e desde então, foi eleito (pra mim), o melhor dela.

 

Algumas das novas filosofias, ou melhor, canções ....

 

Drowned World / Substitute For Love – Abre o disco já mística e anunciando uma certa calma, porém .... eletrônica.   http://www.youtube.com/watch?v=XbBTO4CEjKY&feature=related

 

Ray Of Light -  A minha melhor do disco, rápida, speed e energia como um raio de luz, como é bom dançar essa música !!!! ‘ ..... quicker than a Ray of light / I’m flying .... ‘. Videoclipe mais do que obrigatório, ganhador do Grammy de 1999:     http://www.youtube.com/watch?v=W8waV2G2lZs  

 

Shanti/Ashtangi – Esse mantra ao vivo no MTV Video Music Awards de1998, seguido de outra versão de Ray Of light.  http://www.youtube.com/watch?v=94_q6FCHK7E&feature=related   Om Shanti !!!!!!!  E muito antes da Maya ….. hare baba !!!!!!!!!!!!!

 

Frozen -  Lindo clipe e emanações cabalísticas por vir.   http://www.youtube.com/watch?v=m6SDMCLN5oM

 

  1. "Drowned World/Substitute for Love" (Collins, Kerr, Madonna, McKuen, Orbit) - 5:09
  2. "Swim" (Madonna, Orbit) - 5:00
  3. "Ray of Light" (Curtis, Leach, Madonna, Muldoon, Orbit) - 5:21
  4. "Candy Perfume Girl" (Madonna, Melvoin, Orbit) - 4:34
  5. "Skin" (Leonard, Madonna) - 6:22
  6. "Nothing Really Matters" (Leonard, Madonna) - 4:27
  7. "Sky Fits Heaven" (Leonard, Madonna) - 4:48
  8. "Shanti/Ashtangi" (Madonna, Orbit) - 4:29
  9. "Frozen" (Leonard, Madonna) - 6:12
  10. "The Power of Good-Bye" (Madonna, Nowels) - 4:10
  11. "To Have and Not to Hold" (Madonna, Nowels) - 5:23
  12. "Little Star" (Madonna, Nowels) - 5:18
  13. "Mer Girl" (Madonna, Orbit) - 5:32
  14. "Has To Be" (faixa bônus na versão japonesa do disco) (Madonna, Orbit, Leonard) - 5:16


Escrito por niltonsb às 18:23
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